Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

domingo, 21 de maio de 2017

Uma semana diferente...


A minha última mensagem foi "postada" a propósito do Dia da Mãe. A partir daí não consegui arranjar tempo para escrever. Aliás, já antes, no dia 4 tinha estado com 5 turmas de 8 º ano, na Escola EB23  de S. Lourenço em Ermesinde, a propósito do meu livro Breve História da Química. Os alunos tinham feitos uma série de trabalhos. Entre os expostos estava uma Tabela Periódica muito interessante. Apesar de serem muitos alunos as sessões correram bem.






Na semana que se iniciou a 8 de Maio, foi o "corre,corre" do costume. No dia 15,  chegaram do Brasil uma sobrinha e o marido. Ainda nesse dia fomos almoçar à praia dos Ingleses. Passeámos um pouco à beira mar, fomos ver de longe o Terminal de Cruzeiros (aí fotografámos aquele conjunto de estátuas alusivas a um  naufrágio) mas eu tinha que regressar a casa por volta das 15 h,30,  hora de chegada  do meu neto José. Eles quiseram regressar também, pois praticamente não tinham dormido durante a viagem.



Nesse dia o meu filho Nuno fazia anos pelo que, ao jantar, festejámos a vinda e o aniversário.
Para a música "I have a dream", que tínhamos tocado no concerto, improvisei uma letra

A 15 de Maio o Nuno Nasceu
Foi já há alguns anos que isso aconteceu
Aqui reunidos vamos festejar
com a Sílvia e o Sérgio vindos de além mar
Os que aqui estamos, o evento vamos celebrar
os que não vieram em pensamento aqui irão estar 
A 15 de Maio o Nuno Nasceu
Foi já há alguns anos que isso aconteceu...


No dia 16, logo pela manhã, levei-os a S. Bento. Daí fomos à Sé, aos Aliados, aos Clérigos,à Lello e à minha ex-faculdade, nos Leões.
Antes de almoço fomos ao Piolho e falei-lhes um pouco do historial do café.
Depois dirigimo-nos à Árvore. Foi ali que o meu filho Nuno foi ter connosco para os levar a almoçar ao Torreão ( no edifício do antigo teatro Pé de Vento) donde se desfrutam umas vistas magníficas. Eu vim para casa pois o José chegaria depois das aulas.  Após o almoço o Nuno deixá-los-ia na Ribeira 
para fazerem o passeio das 6 pontes. 
Chegaram a casa ao fim do dia, todos "vitoriosos", pois já se deslocavam no Porto com um certo à vontade. 
Na quarta feira foram a Guimarães. Levei-os a S. Bento para apanharem o comboio e ao fim do dia 
apareceram em casa exaustos mas felizes, porque adoraram a visita.
Na quinta feira ao fim da manhã foram ter comigo ao Hospital de Santo António (era o meu dia de voluntariado) e dali fomos atá à marginal de Gaia onde almoçámos em frente às caves Ramos Pinto, que eles pretendiam visitar após o almoço.

No fim do almoço fiquei um pouco contristada pois a conta vinha altamente inflacionada.
Chamei o empregado e comecei por lhe dizer: Eu não sou turista e é  lamentável que façam isto aos clientes. no pressuposto que são turistas e não irão reclamar.
Meteram os pés pelas mãos, retificaram a conta mas eu fiquei triste. Quantos turistas já terão vigarizado desta maneira?
Após o almoço deixei-os e regressei a casa. Chegaram ao fim do dia mais uma vez felizes, mas cansados.
Na sexta fomos levá-los a Campanhã, com destino a Lisboa. Daí irão a Sintra e a Évora. 
No regresso farão uma paragem em Coimbra. Pensamos levá-los ainda a Santiago ou a Salamanca, aproveitando, neste caso, levá-los à aldeia. Mas tudo depende da forma física com que chegarem….
Após os deixarmos na, estação o meu marido regressou a casa e eu fui tentar comprar umas coisas em Santa Catarina. Há imenso tempo que não ia para aqueles lados. Soube-me bem. Regressei a casa e ainda antes de almoço recebi um telefonema da Isabel, de quem já aqui falei várias vezes. Tinha vindo de Trás-os-Montes, desta vez de mota. Pensava regressar ainda ontem mas convenci-a a passar o fim de semana. 
Entretanto, à tarde chegaram o José e um colega para prepararem um trabalho que terão que apresentar na disciplina de História e Geografia de Portugal. O colega acabou por jantar connosco.

Hoje fui com a Isabel ao Museu Soares dos Reis e depois tentámos ir almoçar ao Torreão, até porque a Isabel em tempos fez teatro e trabalhou no Pé de Vento. Logo à porta perguntaram-nos se tínhamos mesa reservada. Perante a resposta negativa disseram-no que estava cheio e iria assim continuar. Fomos almoçar ao Piolho e depois de almoço fomos percorrer Miguel Bombarda
Ao entrar na AP´ARTE No (nº 221) deparámos com uma exposição belíssima que, de início nos pareceu ser de pintura mas afinal era de fotografia

O autor,FRANCISCO PIQUEIRO, Licenciado em Engenharia Civil é Professor Auxiliar de Hidráulica da F.E.U.P.. No que respeita à Fotografia é autodidacta, desenvolvendo uma estreita ligação entre a fotografia, a aviação
Adaptado de
https://www.viralagenda.com/pt/events/257440/detalhar-exposicao-de-fotografia-aerea-de-francisco-piqueiro

Aqui fica a foto de uma das obras


Aimagem do sapal aparece-nos como a junção de retalhos de cores e texturas variadas, que assumindo uma leitura enigmática,
realçam a beleza e indefinição referencial do motivo.
O retorno à imagem releva um aparente ruido, qual salpicos do pincel que percorria aquela tela. O reconhecimento do espaço,
que a imagem obliqua retrata, permite
então perceber que esses salpicos são aves, dando, agora, um sentido vivo à paisagem.
Descobrimos uma nova imagem!
Extraído de:

Quando acabámos de ver as obras, tentámos saber quem era o autor. Estava ali mesmo. Pessoa extremamente simpática, tivemos com ele uma conversa muito interessante

Aconselho a visita à exposição que vai estar até inícios de Junho

Dali fomos beber umas águas na esplanada de um bar do Centro Comercial Miguel Bombarda após o que regressei a casa. A Isabel fiocu pois ia jantar com uns amigos do tempo em que atuou no Pé de Vento.
Fiz todos os percursos a pé pelo que cheguei cansada.
Sentei-me e fiquei a ouvir  Paganini


https://www.youtube.com/watch?v=s6xzTYE5TN8



domingo, 7 de maio de 2017

Chamava-se Vera...



Viveu semeando alegria e bondade em seu redor,

  Embelezando a vida com um sorriso inigualável.

    Rancorosa, a morte foi urdindo uma hedionda teia.

      Arrancou-a cruelmente da vida, não da nossa memória.


Vera era o nome da minha Mãe, a melhor do mundo. Creio que terá havido muitas tão fantásticas como Ela. Mas melhor, acho impossível.



Dela herdei essencialmente memórias imateriais mas também algumas materiais como partituras, bordados, algumas jóias. Uma delas, a que usa nestas duas fotos. Trata-se de um relicário antigo. Num dos lados a minha mãe colocou a minha foto esmaltada. Mas é do outro lado que eu gosto mais.



 Uso-a por vezes.  Aqui, no casamento do Miguel.


Até sempre, MÃE

A origem do Dia da Mãe 


A história remonta a 1858 quando uma mulher, Ann Maria Reeves Jarvis, fundou o ‘Mother’s Days Works Club’. O objetivo era o de discutir estratégias para que a mortalidade de crianças em famílias de trabalhadores diminuísse cada vez mais. Ann Maria ficou conhecida pelas suas iniciativas dedicadas aos mais desfavorecidos, não só aos trabalhadores, como também aos feridos da Guerra de Secessão.
Nesta senda, também outra mulher – a escritora Julia Ward Howe – desenvolveu iniciativas no sentido de valorizar a mãe e a maternidade, desta feita com a publicação do manifesto ‘Mother’s Day Proclamation’.
Quando Ann Maria morreu, em 9 de maio de 1905, a sua filha Anna Jervis ressentiu-se da perda e, com a ajuda de amigas, decidiu celebrar o amor pela sua mãe e, ao mesmo tempo, ensinar as crianças a valorizar as respetivas progenitoras.
Assim, iniciou uma campanha para que o dia das mães fosse reconhecido a nível nacional, o que aconteceu nove anos após a morte de Ann Maria.
Em maio de 1914, o Congresso dos Estados Unidos aprovou o decreto – Joint Resolution Designating the Second Sunday in May as Mother’s Day – que estabeleceu o segundo domingo de maio como o Dia da Mãe.
Porém, e apesar do esforço em conseguir que o Dia da Mãe fosse reconhecido como uma celebração a nível nacional, Anna Jervis lutou posteriormente para que o dia fosse abolido do calendário devido ao caráter comercial que adquiriu.
Sendo Portugal um país de elevada tradição católica, o Dia da Mãe não era, inicialmente, celebrado em maio, mas sim em dezembro, mais precisamente no dia 8, dia de Nossa Senhora da Conceição, a padroeira do país.
Porém, as aparições de Nossa Senhora aos três pastorinhos – Lúcia, Jacinta e Francisco – na Cova da Iria a 13 de maio de 1917 deram um maior simbolismo ao mês de maio, que passou a ser conhecido como o mês dedicado a Santa Maria, a mãe de Jesus Cristo.
Assim, as autoridades portuguesas decidiram que o Dia da Mãe deixava de estar ligado a Nossa Senhora da Conceição e passava a estar relacionado com Nossa Senhora de Fátima.
Sendo que as aparições ocorreram a 13 de maio, ficou estabelecido que o Dia da Mãe em Portugal seria celebrado no primeiro domingo do mês para não entrar em conflito com as celebrações em Fátima.



domingo, 30 de abril de 2017

De música e de palavras…


Ontem teve lugar o Concerto de Primavera da Teclarte, cujo programa deixei na mensagem anterior.
O meu neto e eu tocámos, juntamente com outros alunos, The sound of silence e I have a dream. Na primeira ambos tocámos ukulele. Na segunda eu continuei com o ukulele e o José tocou baixo. Anda fascinado com o baixo. Quando acabámos deu-me um grande abraço e disse:
-Obrigada. De todas as prendas que me tens dado, as aulas de música foram o que mais feliz me tornou.
Aqui ficam as música referidas e algumas fotos.








Entre as duas músicas estive sentada na “assistência”. A dada altura aproxima-se de mim um menino.

-Eu sou aluno da escola Manuel António Pina onde foste apresentar um livro. Eu tenho - o . Gostei muito e já o li todo.

Tirei um foto com ele e pedi à mãe o e-mail para lha enviar. Ficou um pouco desfocada...


No fim do espetáculo encontrei uma colega que foi professora de Inglês no Carolina Michaëlis. Tem uma neta e uma filha que, no presente ano letivo, iniciaram lições de Música na Teclarte. Não conhecia a escola e está muito satisfeita. Eu também só a conheci em Setembro de 2015 e em boa hora, pois também estou muito contente.

Passando às palavras.

Há uns dias, entrei na loja Edicare, em Cedofeita, onde geralmente compro prendas destinadas a crianças. Ali tomei conhecimento de um desafio lançado aqui www.77palavras.blogspot.com
Estes desafios já começaram há muito e propõem-nos a escrita de textos, com 77 palavras, e sujeitos a condições pré-estabelecidas. É muito divertido. Já enviei quatro textos e estou a tentar convencer os meus netos a participarem.


E ainda a propósito de palavras, acabo de editar mais dois livros de poesia, que em boa verdade são quatro, dado que cada um deles é “2 em 1”. 
O meu primeiro livro de poesia, Reflexões e Interferências, editado em 2002, esgotou e a editora já não existe. O segundo, Magnetismo terrestre (2005), foi totalmente financiado pelo Clube Literário do Porto, que infelizmente também deixou de existir.
Reeditei-os, aproveitando a edição dos dois novos livros. Aqui ficam um poema de cada e as capas, da autoria do meu filho Nuno, tendo por base pinturas minhas.

 
Amazonas
Crescem crateras no pulmão do mundo.
Para alguns a riqueza desmedida,
para muitos a fome imerecida.

Esfinge de Gizé

Thutmose, cansado,
adormeceu na areia que engolira a esfinge.
Adormeceu e sonhou.
Se retirares a areia que a oculta, serás faraó,
assim lhe disse Rá.
Agora é a esfinge que na areia dorme dolente,
fustigada pelo vento cioso, inclemente.
Com a altivez de um faraó e a força dum leão,
vai resistindo, à tortura, ao assédio e ao tempo.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Eventos....

No passado dia 22 de abril, tal como tinha anunciado, fiz a apresentação o livro Da espera ao instante....o infinito, de J. Bernardino Lopes e de seu filho Pedro do Couto Lopes.
Bernardino Lopes é Professor Associado na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.
Pedro Couto Lopes, artista plástico, vive e trabalha no Reino Unido

A apresentação teve lugar na Fundação Escultor José Rodrigues, Rua da Fábrica Social, Porto, onde está patente uma exposição coletiva de vários jovens, entre eles Pedro do Couto Lopes
J.Bernardino Lopes licenciou-se em Física, na Universidade do Porto e passou pelo Ensino Secundário onde, em 83-84, tive o privilégio de ser sua orientadora de estágio.Professor muito empenhado, passado pouco tempo fez Mestrado na Universidade de Aveiro, na área da Física Educacional.  Posteriormente passou a fazer parte do corpo docente da UTAD, onde é Professor Associado com Agregação em Ciências Exatas, sempre ligado a projetos de investigação, nomeadamente na formação de professores na referida área. Tive oportunidade de trabalhar em vários desses projetos pelo que a nossa relação, que é desde há muito uma relação de amizade, não se esgotou no estágio.
Estive presente no seu casamento e quando Pedro do Couto Lopes, o filho mais velho, nasceu, muito carinhosamente, foram a minha casa apresentar-mo.
Em Setembro de 2014, José Bernardino Lopes e Pedro Couto Lopes desafiaram a nossa imaginação com as aventuras de Mimi e Fifi, em “O bico Azul, uma viagem por onde os nosso olhos não podem ver” a que fiz referência neste blogue onde escrevi:

Na minha leitura, a viagem de Mimi e Fifi pode ter sido inspirada no mundo fantástico da Física Moderna, com espaço e tempo interligados, com deformações do espaço-tempo (responsáveis pelo movimento dos  corpos no cosmos), com "Wormhole" (“buracos de minhoca”) e vários  outros conceitos muito complexos, mas com os quais a Física Moderna, tal como a Clássica,  nos fascina.

Cerca de dois anos depois, surge esta nova aventura dos irmãos Mimi e Fifi em “Da espera ao instante….o infinito “.

Russell Stannard, físico de altas partículas que foi Vice- Presidente do Instituto de Física do Reino Unido, escreveu uma trilogia (a trilogia do tio Alberto) para crianças e jovens de todas as idades, em que a jovem Gedanken, pela mão do tio Alberto, parte para a exploração de um mundo maravilhoso onde nada é o que parece…
O mesmo acontece com Mimi e Fifi, pela mão da tia Mariana, nesta nova narrativa de Bernardino, em que mais uma vez emergem o físico, o investigador, o humanista, o poeta.
E as imagens de Pedro do Couto Lopes entram em simbiose perfeita com a narrativa de Bernardino.

Li esta aventura com um prazer enorme e ao ler senti-me acompanhada nomeadamente por Saint-Exupéry (em o Principezinho), por Russel Stannard (na triologia do tio Alberto) por António Gedeão (em Pedra Filosofal) e por Alberto Caeiro de que deixo o excerto que segue:

(...)O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto (...), 

O evento proporcionou-me ainda algumas surpresas muito agradáveis. 
Como cheguei cedo deambulei pelo espaço e apercebi-me da existência de umas oficinas de pintura para crianças que, gratuitamente, têm lugar todos os sábados de tarde. A minha neta mais nova adoraria ir, mas aos sábados de tarde tem escutismo. Não sei se já aqui referi que  há uns meses manifestou vontade de ser escuteira. Anda entusiasmadíssima. Já esteve num acampamento e no próximo fim de semana vai estar noutro. Como não é batizada nem frequentou a catequese, vai ter que "regularizar" estas situações, mas reagiu dizendo:- Tudo bem, eu quero ser escuteira.  

Continuando com as surpresas,...
Entre a assistência estava uma amiga que foi minha colega de estagio e que já não via há bastante tempo. Foi um enorme prazer revê-la. 
Mas a maior surpresa ocorreu quando se aproximou de mim um senhor, perguntando se lecionara no Alexandre Herculano.
-Então creio que fui seu aluno no 7ºano (atual 11º), numa turma de estágio. Era muito novinha e continua  magrinha.
Admiti que se referia ao meu estágio e chamei a minha colega dizendo:
-Este senhor foi nosso aluno quando éramos estagiárias. 
De  imediato ele  ripostou:
-Não  era estagiária. Era a orientadora de estágio.



 O meu ex-aluno, a esposa(de vermelho), a minha amiga e eu
Na verdade comecei a orientar estágio com 26 anos mas na altura tinha um ar muito jovem. Esse ar jovem ocasionou alguns episódios com alguma graça, dos quais destaco dois. O primeiro ocorreu em  Junho de 67, no Liceu Sá de Miranda em Braga. Eu lecionara no Liceu de Barcelos, que era uma secção do Sá de Miranda. Na época de exames fomos todos destacados para ali prestar serviços de exame. Logo no primeiro dia teria que dar apoio aos exames de Trabalhos Práticos(TP), não sei se de Física se de Química. Ao chegar à Escola dirigi-me ao funcionário, disse ao que ia e ele indicou-me os Laboratórios que ficavam junto ao recreio.  Como cheguei muito cedo, fiquei à porta a aguardar. Quando o professor chegou perguntou-me: 
-O que está a fazer aqui?
Respondi que ia para o exame de TP.
-Aqui é só para rapazes. Terá que ir para o Liceu Feminino. Apresse-se caso contrário não chega a tempo
Quando lhe disse que era professora pediu-me desculpa e disse:
-Com esse ar, nunca imaginaria que  já é professora. Pensei que vinha de algum colégio, para prestar provas.

Em Outubro fui colocada precisamente no Liceu Sá de Miranda e ocorreu o segundo episódio.
Logo após a reunião geral, fui chamada à Reitoria. O Reitor, um senhor muito delicado, disse-me: 
-Eu pensava entregar-lhe as turmas de 7ºano (atual 11º)  mas estou com algum receio. 
Respondi que poderia ficar tranquilo pois se eu tivesse alguma dúvida, de imediato recorreria à Faculdade de Ciências aqui no Porto, onde me tinha licenciado.
-O problema não é  esse. Decorre do facto da sua idade não ser muito diferente da dos alunos.
Achei que isso para mim não seria problema e de facto não foi.


Aproveito esta mensagem para anunciar o concerto de Primavera da Teclarte (escola que dois netos e eu frequentamos) e que terá lugar no próximo sábado, às 21h,30 min, na Igreja de Lordelo



terça-feira, 25 de abril de 2017

25 de Abril


Hoje, 25 de Abril, tomei de empréstimo um poema publicado aqui

Continuar Abril
Os barcos têm sede: falta mar.
Os lenços não respiram: falta vento.
Que outro (a) mar das marés do teu olhar
me tragam ao país a que pertenço.

Os vidros têm fome: faltam cravos

assomados à janela do futuro.
Da teia dos meus dedos farei barcos.

Serão velas as palavras que procuro.


Hugo Santos
In: Armas de (a) mar. Lisboa: Ulmeiro, 1988


Quando recordo o 25 de Abril de 74, vem-me de imediato à mente a marcha militar do 25 de Abril



Recordo-me, como se fosse hoje. Fui normalmente para o Liceu Alexandre Herculano, onde lecionava. A meio da manhã a escola fechou, mas não se sabiam ainda pormenores do que tinha acontecido. Golpe de “progressistas “ou dos “ultras”?

Quando se confirmou a primeira hipótese foi uma alegria espontânea  e contagiante. Peguei nos meus filhos,um com meses, o outro com dois anos, e saí para a rua. A marcha ecoava por todo o lado…

O ambiente era de festa. A este propósito recordo “Tanto mar” de Chico Buarque(versão de 1975)



Sei que estás em festa, pá
Fico contente
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo para mim

Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
E colher pessoalmente
Uma flor do teu jardim

Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar

Lá faz primavera, pá
Cá estou doente
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim 


Mas teria sido 25 de Abril para todos?

Em Vinte e zinco, Mia Couto “diz”, pela voz da adivinhadora Jessumina

Vinte e cinco é para vocês que vivem nos bairros de cimento. Para nós, negros pobres que vivemos na madeira e zinco, o nosso dia ainda está por vir”.


É certo que os cravos murcharam um pouco para todos….

Termino com “Tanto mar” de Chico Buarque, numa outra versão da canção acima referida (versão de 1978)




Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
E inda guardo, renitente
Um velho cravo para mim

Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente
Nalgum canto do jardim

Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar

Canta a primavera, pá
Cá estou carente
Manda novamente
Algum cheirinho de alecrim 






terça-feira, 18 de abril de 2017

Fim de férias...

Hoje, aproveitando um "tempinho" livre no meu último dia de "férias" vou tentar pôr a escrita em dia

As férias dos meus netos foram ligeiramente desfasadas. A Rita e o Bernardo, que frequentam o Colégio Universal, entraram em férias  a 3 de Abril e a 5 entraram os outros dois, que frequentam escolas do Agrupamento Carolina Michaëlis. No dia 3 decorreram, nesta escola várias atividades entre elas atuações de alunos, em diferentes áreas: canto, dança, música. O meu neto, que se iniciou no baixo há algum tempo, foi tocar


À tarde fui a uma escola de 1º ciclo onde estive com crianças do 1º ao 4º ano. Vários professores da escola são transmontanos, inclusive o diretor cuja aldeia é próxima da minha. Em conversa vim a saber que é primo de uma colega dos meus tempos de liceu em Bragança.
Após o regresso da escola fui buscar a minha neta Marta e dirigi-me para casa onde o José já estava com o avô.
De 4ª a 6ª feira, inclusive, os netos ficaram comigo à exceção da Rita. (No próximo ano entrará para o 10 ºano e pretende seguir medicina. De 4ª a 6ª feira requentou umas atividades na Universidade Católica com incidência em várias áreas. Mas a sua opção não foi “beliscada”…)
Na 4ª, logo após o almoço, juntamente com os três netos fui até ao jardim da Arca d´Água onde já há algum tempo foi construído um mini-parque para crianças. O José e o Bernardo jogaram à bola quase todo o tempo.
A Marta, entre o baloiço, o escorrega e mais umas opções, passou todo o tempo divertidíssima.





Às 18 h estavam exaustos e esfomeados. De regresso a casa passámos por um café onde comeram um cachorro com ovo e batatas fritas, bifes de frango panados e gelados.
-Amanhã podemos voltar? Perguntaram quase em coro.
-Não, mas podemos vir sexta-feira. 
-E podemos fazer um pic-nic no parque? 
- Combinado...
De 4ª para 5ª o José dormiu em minha casa e ficou a promessa que de 5ª para 6ª seria a vez da Marta.
Muitas vezes ficam os dois, por vezes três e até os quatro. Mas eu tinha uma consulta no dentista no dia seguinte e não arriscava a levar os três comigo. Levei os dois rapazes que aguardaram na sala de espera, jogando com os “tablet”.
Na 5ª feira à tarde temos as aulas de música. Fomos o José e eu porque a Marta tinha, ao mesmo tempo, um ensaio para o exame de ballet e era importante não faltar.
Na música estamos a ensaiar para o concerto de Primavera, no próximo dia 29, pelas 21h,30min , na Igreja de Lordelo.
A nossa aula prolongou-se pela seguinte pois o aluno, um jovem do 8º ano, vai fazer parte do grupo que vai tocar tocar algumas músicas, entre elas I have a dream dos Abba. Ensaiámos os três: ele na viola, o José no baixo e eu no ukulele. Foi muito giro...
Na 6ª feira, após o almoço, fomos para o parque e, no fim da brincadeira, fizemos o pic-nic.


No sábado festejámos o 15º aniversário da minha neta Rita……
A Marta não esteve presente pois teve o seu primeiro acampamento como escuteira...
No domingo fomos, mais uma vez, almoçar à Praia dos Ingleses. No regresso resolvemos caminhar por algumas ruas que ainda subsistem por entre os prédios altos que “marginam” a Avenida. Fotografei um recanto e uma tampa de saneamento que achei muito bonita.



Na segunda feira ficaram comigo o Bernardo e a Rita. A Marta  teve uma semana  de atividades desportivas variadas e o José um semana de hipismo no Parque da Prelada, onde na terça feira o fui buscar às 17h. Já tinha acabado a sessão pelo que não o vi cavalgar mas fez questão de me mostrar a Olívia, a égua em que cavalgara




Na terça feira o Miguel e a família partiram para a Suíça, onde foram passar a Páscoa a casa de um casal amigo, férias que deram direito a mais uma ida à neve...
Na 4ª feira partimos nós para este Reino Maravilhoso, como lhe chamou Torga.

 


 
Durante a viagem e como é habitual, ouvimos a Antena 2, nomeadamente a  Sonata No. 1 para piano e violoncelo,   Opus 5 de Beethoven

Já há muitos anos que vínhamos mais cedo com os netos e depois regressávamos para passar a Páscoa no Porto. Mas o aniversário da Rita e a ida deles para a Suiça, modificaram os planos. Ficámos na minha aldeia, embora hoje esteja a escrever esta mensagem na aldeia do meu marido...
Numa e noutra aldeia fomos apanhar os deliciosos espargos de que já falei em anos anteriores. Como ultimamente não tem chovido, estavam fracos mas ainda deu para colher alguns que vou levar para o Porto a fim de os comermos todos em conjunto.

Já há muito que andava com vontade de conhecer Sortelha. Desafiei o meu marido a ir almoçar a Sortelha, no dia de Páscoa. Foi connosco a Isabel, de quem já aqui falei várias vezes. Passámos pelo Sabugal que não conhecíamos e resolvemos fazer ali a primeira paragem. Visitámos o centro histórico com o seu castelo Aproveitámos para ali almoçar, num restaurante junto ao Coa, que nasce a 19 km.
Após o almoço fomos a Sortelha. È uma terra muito bonita, um pouco no género de Monsanto
Aqui ficam algumas fotos.

Regressámos à Parada ao fim do dia. Hoje, véspera do regresso ao Porto, viemos passar o dia à Adeganha.







Termino a mensagem com a sonata acima referida

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Da espera ao instante....o infinito







No próximo dia 22 de abril será apresentado o livro Da espera ao instante....o infinitode J. Bernardino Lopes e de seu filho Pedro Couto Lopes," uma narrativa com dupla linguagem: numa as palavras sucedem-se uma a uma, na outra cada pintura abre caminho à seguinte. Nenhuma delas ilustra a outra: complementam-se numa única história. A primeira tem autor (J. Bernardino Lopes) e a segunda também (Pedro do CoutoLopes).

A apresentação terá lugar na Fundação Escultor José Rodrigues, Rua da Fábrica Social, Porto onde está patente uma exposição de Pedro Couto Lopes


J. Bernardino Lopes é Professor Associado na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.
Licenciado em Física pela Universidade do Porto, passou pelo Ensino Secundário onde tive o privilégio de ser sua orientadora de estágio .
Pedro Couto Lopes, artista plástico, vive e trabalha no Reino Unido