Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Em terras do Nordeste-parte 6

Retomo a minha "reportagem" de férias

No dia 31 foi feira de Alfândega. Como o meu marido tinha que ir à vila, fui, dei uma volta pela feira mas não comprei nada. Aproveitei para visitar a Laura, uma senhora que cuidou da última tia do meu marido, de quem gostávamos muito. A senhora foi sempre muito carinhosa com ela pelo que sempre que posso vou visitá-la. A conversa girou à volta da feira e das feiras por ali. E eu aproveitei para esclarecer uma dúvida que me tinha ficado ao ler o livro “Ernestina”,de que tenho vindo a falar ao longo das últimas mensagens. Em Mogadouro há uma feira anual famosa, a Feira do Gorazes. O meu pai costumava lá ir e a minha mãe ficava sempre numa angústia. A estrada era perigosa, com muitas curvas e ribanceiras profundas e o meu pai era um pouco louco a conduzir. Teve dois acidentes mas nenhum no percurso para Mogadouro...Rentes de Carvalho também refere a dita feira mas “situa-a” a 15 de Novembro. Ora eu tinha quase a certeza que seria a 15 de outubro, dia a seguir ao do meu aniversário. Na conversa com a Laura pude constatar que é a 15 de outubro.

No regresso de Alfândega não fizemos o percurso habitual mas um totalmente diferente para podermos passar na aldeia de Felgueiras, de que falei na mensagem anterior.
Existe ali uma casa de turismo rural de linhas modernas, mas cheia de “floreados” que, para mim, são de gosto muito duvidoso. 








Mas a aldeia tem muitas potencialidades turísticas embora várias casas estejam em ruínas





No dia 3 teria lugar a festa do Santo Antão, a que já aludi em mensagem anterior.
A festa é uma das romarias mais conhecidas nas redondezas e o local era, antes da construção da barragem, lugar de encontro de pescadores amadores ( e não só) que ali faziam grandes pescarias e lautas comezainas, as peixadas.

Rentes de Carvalho, em Ernestina,  relata o caso de um homem que foi ao Santo Antão comer uma peixada com os amigos e no regresso caiu ao rio onde morreu afogado.

..em vez disso foi direito ao Santo Antão comer uma peixada com os amigos(…) pag 306

Quando eu era criança, um casal da aldeia morreu também ao atravessar o rio a cavalo. Mas houve vários outros casos

Regresso à festa. Não gosto de romarias mas gosto do passeio a pé da minha aldeia até ao Santuário. Antes da transladação (por causa da barragem) eram cerca de 10 km, agora são cerca de 7.
 Há duas “jovens” da geração dos meus filhos, uma delas geógrafa, ainda minha prima, que gostam de fazer esta caminhada pelo que vamos sempre juntas. Por vezes há quem pare e nos ofereça boleia. Quando dizemos que queremos ir a pé, geralmente surge a pergunta: É promessa?
Noutros tempos era promessa habitual de muita gente, tal como dar n voltas à capela, de joelhos, por vezes levando animais pela rédea.
Este ano as duas jovens apareceram acompanhadas de uma outra, a Inês Barbedo filha de uns amigos, que foi colega dos meus filhos na escola e, tal como o meu filho Miguel, frequentou campos de férias do MOCANFE  no Talasnal. Já não a via há muitos anos mas foi uma surpresa muito agradável

Saímos da Parada por volta das 18h por causa do calor. Quando chegámos já o sol se punha.




As cerimónias religiosas tinham terminado. Fomos à capela, ver os óleos que cobrem as paredes e que foram descobertos e restaurados quando da muda do santuário. Fotografei também a centenária caixa de esmolas. 





António dos Santos Lopes (casado com uma tia minha) escreveu, na década de 90, uma monografia sobre o Santuário onde entre muitas fotos, se encontra a desta caixa.



Após a visita à capela fomos encontrar-nos com o meu marido que tinha ido de jipe, onde levara a “merenda” que comemos, sentados no chão, já longe da “confusão”. Depois ainda fomos ao rio tentar apanhar lagostins, mas naquela zona havia muito poucos. Regressámos a casa, de jipe, por volta das 22 h. No local começaria a berraria ensurdecedora dos conjuntos que ecoa hoje em todas as romarias.



Durante esta estadia na Parada fui duas vezes picada por vespas e na mesma perna que, de cada vez inchou e ficou arroxeada durante vários dias. Uma das vezes aconteceu em mais um passeio até ao Castro da Marruça, ou melhor, ao que resta do Castro da Marruça.
Trata-se de um povoado fortificado castrejo, usado até à ocupação muçulmana, situado numa escarpa junto ao rio Sabor.
A sua função era eminentemente defensiva, com um recinto amuralhado ainda razoavelmente conservado, encontrando-se a sul, fora das muralhas, restos de habitações de um povoado ali existente. 

A vista dali sobre o rio ( agora largo por causa da barragem) é muito bonita.



A sua fortificação é feita em grande parte pelo rochedo em que assenta, no cabeço que desce abruptamente para o rio. O resto era obra humana, uma muralha bem conservada até há cerca de 12 anos, em que um homem resolveu deitar parte abaixo para poder aceder facilmente à lenha de carrascos que ali crescem.
Quando nos apercebemos fomos de imediato comunicar à Câmara. Continuamos a aguardar que o IPPAR faça algo, enquanto as pedras da muralha se vão esboroando…

Este castro já me inspirou alguns poemas e um dos contos que figuram  em Terras de Cieiro,   livro que foi agora lançado em Alfândega da Fé 


Outrora

Outrora, seriam por certo diferentes
o achatamento polar, o campo magnético, a atracção lunar
e, como tal, o peso das coisas, as marés.
Diferença subtil, irrelevante,
pois se esse tempo, à escala humana é já distante,
à escala do Universo ainda é presente.
Outrora, seriam por certo diferentes as gentes que no castro habitavam
mas como hoje, sofriam, amavam e guerreavam em sangrentas batalhas,
deixando virgens, talvez para sempre, tímidas donzelas.
Testemunhas desse tempo, as muralhas,
naturais do lado do abismo, do outro lado humana construção,
como também humana a destruição que de onde em onde grassa.
Ignorou-se que enquanto o tempo passa,
as pedras guardam na memória os feitos da história,
o sangue derramado, a glória, o revés.
Em terras que com sangue foram adubadas,
florescem hoje papoilas encarnadas
por entre alvas estevas, roxas arçãs e giestas amarelas.
Na Primavera, todas elas salpicam a ladeira do castro até ao rio.
Deste, quem sabe, o rumor será ainda eco dum clamor,

outrora lançado no vazio.
in Magnetismo terrestre

Nunca tinha sido picada por uma vespa mas, teria uns 12 anos, fui picada por uma abelha e curiosamente na mesma perna...Estava em casa duma menina minha colega e a mãe, na sua boa fé, foi buscar uma moeda e pressionou. Sentia dores na perna e uma manhã acordei febril. Quando tentei levantar-me apercebi-me que a perna parecia um cepo, de inchada. Tive dificuldade em levantar-me. Quando a minha mãe me viu naquele estado decidiu que iria de imediato ao hospital. Não faço ideia de quem me levou pois o meu pai, à época estava no Brasil. Provavelmente terá sido algum dos meus tios, de férias na aldeia, mas essa parte varreu-se da minha memória. A razão da febre e do inchaço estava na moeda… Não tinha sido mordida por uma vespa e sim por uma abelha que deixara o ferrão. Ao pressionar no sítio da picada, o ferrão ficou “enterrado” e acabou por infeccionar. Retirado o ferrão (ainda hoje tenho a cicatriz da incisão feita para o retirar) e com a ajuda de um antibiótico, tudo se resolveu rapidamente.
Nessa altura casou uma rapariga da terra. Como eu tocava acordeão, no dia da boda o pai bateu muito timidamente ao portão. Vinha pedir se “a menina” poderia tocar umas modinhas na festa do casamento.
A minha mãe disse que eu ainda estava a reabilitar-me dos danos causados pela abelha mas iria falar comigo. Fui, com a perna ainda inchada e com o acordeão que ainda tenho mas não toco, e lá toquei já não sei o quê. Com certeza mal tocado pois, tal como acontecia com o piano, era fraca executante.. Mas a gratidão do pai da noiva manteve-se até à sua morte.

E já que falo em vespas, abelhas e músicas, deixo um pequeno excerto de O voo do moscardo de Rimsky Korsakov, obra de que gosto muito.




A partir de 28/08, e com a minha casa “deserta”, tive tempo para escrever este relato de férias, que também para mim estavam a findar pois dia 5 tinha que estar no Porto para uma consulta no Hospital de Sto António, consulta essa que aguardava há um ano. 

Termino com mais um pôr do Sol, visto do meu terraço




domingo, 11 de setembro de 2016

Até sempre, Mestre

Mestre  José Rodrigues partiu mas permanecerá presente além e aquém fronteiras e de uma forma muito especial no Porto, em Vila Nova de Cerveira e Alfândega da Fé.
 Como hoje não poderia ir ao funeral, passei ontem  pelo Tanatório onde estive com duas das filhas. Como eram quase 22h, já estava pouca gente

Tive o privilégio de o conhecer pessoalmente pois tem origens em Alfândega da Fé. Sempre que nos via ( a mim e/ou ao meu marido) falava-nos com entusiasmo de Alfândega. Era uma pessoa extremamente afável

Vi várias exposições suas, tenho alguns catálogos, distribuídos pela minha casa do Porto e a da aldeia,  mas só tenho uma obra, uma serigrafia, "S. Sebastião", que está na minha casa da Parada.








Gosto muito de várias obras suas nomeadamente  das duas que seguem


Rapto da Europa- série Mitos, 1997. Pastel sobre cartão


Salomé, 2008   Bronze patinado e polido

Obrigada MESTRE e até sempre.

sábado, 10 de setembro de 2016

Em terras do Nordeste-parte 5

Dia 22 à noite chegaram à Parada, regressados do Algarve, o meu filho mais velho, mulher e filhos. Estava prevista a companhia  de uma amiga da Rita mas adoeceu . Os adultos regressariam ao Porto no dia 23 de manhã muito cedo pois já não estavam de férias.
Dia 23, as atividades privilegiadas pelos mais novos foram distribuídas entre a piscina e a preparação de uma partida aos pais. Estes sabiam que lhes iria ser pregada a partida e alinharam desde logo, sem saber no entanto em que constaria.
Dia 24 fomos a Macedo buscar a Marta que até ali foi de camioneta, vinda de Bragança, onde reside. É filha duns afilhados meus e neta de uma senhora que vive aqui na aldeia. É da idade da Rita e desde pequeninas costumavam encontrar-se aqui, na primeira quinzena de Agosto. De tal maneira conviviam que a Marta e o irmão entravam sempre nos nossos teatros de verão. Desde que herdámos a casa na Adeganha e por razões que expliquei na primeira mensagem desta série, começamos ali as férias. Assim as meninas deixaram de poder conviver como anteriormente. No verão passado fomos a Bragança e estiveram juntas mas apenas umas horas. Este ano decidi convidá-la para vir passar uns dias  em minha casa, na Parada. Ficou ali mas todos os dias ia visitar a avó e umas primitas francesas que estavam de férias em casa da avó. O Bernardo ia também para brincar com as meninas. A Rita nem sempre os acompanhava, pois estava empenhada na preparação da partida a fazer aos pais, quando chegassem.
No dia 25 fomos à Adeganha, que a Marta queria conhecer. Aproveitámos para convidar o primo Manuel António Gouveia( de quem falei na mensagem anterior) e a mulher que só tinham estado na Adeganha quando tudo era ainda um caos. Partiram após o almoço e as meninas continuaram na preparação da partida
Com alguma ajuda da Marta e minha, a brincadeira ficou pronta a tempo.
A mãe iria ficar sentada num dos 5 quartos, presa a uma cadeira com umas correntes e um cadeado. O pai, fechado também na zona dos quartos, teria que, mediante várias pistas e códigos, descobrir uma chave para abrir o cadeado e libertar a mãe. De seguida, os dois teriam que, novamente através de enigmas, pistas, etc, encontrar a chave para poderem sair. Com um sistema de câmaras vídeo, cá fora podiam ser seguidos todos os seus passos no interior.
A casa presta-se bem para esta brincadeira pois a parte dos quartos pode ser facilmente isolada do resto da casa. Enquanto as meninas preparavam a partida, o Bernardo divertia-se em sucessivos banhos na piscina, findos os quais ia secar-se ao sol, no terraço. Mas andava entusiasmadíssimo com os preparativos.
No dia 26 ao princípio da tarde tive que ir a Alfândega para se reorganizar o programa do Encontro de Escritores (de que falei anteriormente),  dado que a minha apresentação não estava prevista inicialmente. Ficou acordado que interviria ao fim da manhã, a seguir ao meu amigo António Afonso.
Regressámos à aldeia.
Filho e nora chegaram ao fim do dia acompanhados da Inês, amiguinha da Rita que não pudera vir na semana anterior. Deixaram as tralhas numa salinha à entrada e, já sem tralhas, foram para a zona dos quartos. A Inês quis tomar parte, acompanhando os pais da Rita no interior. Demoraram meia hora a conseguir sair mas acharam imensa piada.
Acabada a brincadeira fomos jantar no terraço como acontece geralmente no verão. Após o jantar ficámos ali a conversar até à 1h da manhã, todos exceto o Bernardo que às 11h, muito contrariado foi para a cama.
Estava a jantar quando recebi um telefonema do António Afonso. Estava com uma enxaqueca tremenda pelo que me pedia para o anteceder na apresentação, caso se atrasasse um pouco.
O evento começaria às 10h, mas não sabendo ao certo a hora a que ira intervir, não faria sentido irmos todos logo de manhã. Iria apenas eu e avisá-los-ia quando se aproximasse a hora da minha intervenção. Só que alguém teria que ir comigo por causa do número de lugares disponíveis nos carros.
Lembrei- me entretanto que a Gorete, uma professora que vive na aldeia e perto de minha casa, costuma gostar de ir a estes eventos. Eram já 23h,  Fui a casa dela e como visse a luz acesa bati. Disse-me que gostaria muito de ir mas sozinha não iria. Quando lhe propus ir com ela ficou muito satisfeita.


No dia 7 lá fomos logo de manhã, no carro da Gorete. Como referi, do programa não consta a minha apresentação que foi decidida "em cima do acontecimento"





 Mal chegámos vieram pedir-me para fazer a primeira intervenção da manhã, que iria ser única pois o António Afonso não tinha melhorado e não podia comparecer. Avisei de imediato a família e como antes das intervenções houve uma atuação do grupo de cantares de Alfândega da Fé, conseguiram chegar a tempo.

https://www.youtube.com/watch?v=UUFNI5TEI3U

Fiquei surpreendida com a atuação do coro que  não me lembro de alguma vez ter ouvido. Pelos vistos tem sido premiado quer em Portugal que no estrangeiro. Em 2015 ficaram em 1º lugar num concurso nacional promovido pelo INATEL

De seguida e após as intervenções da Presidente da Câmara e da responsável pela Poética Editora, apresentei Terras de Cieiro.




Poderão  encontrar aqui, http://videos.sapo.pt/QYSakUKO5orWuncKYDlm,  um breve vídeo do Encontro referido também em http://5l-henrique.blogspot.pt/2016/08/alfandega-da-fe-recebeu-o-vi-encontro.html



As minhas apresentações são geralmente breves pois, quando estou “do outro lado”, apercebo-me que é difícil acompanhar intervenções longas. Dizem que correu muito bem. Seguiram-se várias intervenções por parte do público, pelo que o tempo destinado a apresentações foi totalmente preenchido.
Numa delas falou-se sobre perspetivas de futuro para Alfândega. A Presidente da Câmara aproveitou para falar em iniciativas que  têm sido levadas a cabo  na aldeia de Felgueiras. Decidi que iria visitar a aldeia logo que possível
Uma outra intervenção foi feita por uma autora que escreve em língua mirandesa. Quando terminou, falei num poema em língua mirandesa que acho belíssimo. e que vi publicado na Antologia Por longos dias, Longos Anos, Fui silêncio. em que também participo.



De tal modo gostei do poema que o divulguei aqui numa mensagem em 25/10/2015. Quando referi o poema, a referida autora, cujo nome é Adelaide Monteiro, disse: Sou eu a autora desse poema.

Eis um excerto do mesmo

YOU FUI MULLHIER,

You fui siléncio!...
Por lhargos dies, lhargos anhos,
you fui siléncio (...)
(...)Apuis,
fiç-me la mulhier coraige
dw la somlombra de ls mius dies,
páixaro smenuçado na punta de la xibata
qu´andefeso se tomba na friaige
i,
als mius uolhos
deciu la nuite inda de die
i
you fui nuite...
na paç de la nuite!..

Acabámos por ficar juntas no almoço. Foi muito agradável a conversa que foi alargada a outras pessoas, autores e não só, que também ficaram próximas de nós.
Após o almoço
 estava prevista uma visita ao Santo Antão da Barca, mas por razões que referi em mensagem anterior, a visita teve que ser substituída. Fomos de autocarro até Sambade (aldeia do concelho) visitar o Centro de Interpretação do Território, uma visita muito interessante. 



Finda a visita regressámos à vila onde visitámos a polémica Torre do Relógio 

https://www.youtube.com/watch?v=8uTgQQV0IGw

Terminadas as visitas recomeçaram as apresentações
Foram apresentados os livros "Aves de incêndio" de Raquel Serejo Martins  e" Hominídeo Humanizado" de António Sá Gué
A primeira apresentação foi muito longa e ouviu-se muito mal.
Deixo no entanto um poema do livro, publicado aqui

Deixei o meu coração no forno,
é só aqueceres e tens jantar.
O que sobrar dá ao gato.
Eu sempre gostei do gato.

Raquel Serejo Martins
In:Aves de incêndio. 

Confesso que não me diz muito.  mas quem sou eu para avaliar?...

Quanto ao último autor, já não pude assistir pois o programa foi tendo atrasos sucessivos e era já bastante tarde quando se iniciou a apresentação

Entretanto marido, filho, nora netos e as duas amigas da Rita foram até à praia fluvial da Foz do Sabor, onde almoçaram ( um pic nic que a minha nora preparou), nadaram, andaram de canoa...

Resultado de imagem para praia fluvial da Foz do sabor

Quando regressei a casa estavam apenas as “mulheres”, as três amiguinhas e a minha nora que preparava o jantar.
Os “homens”, marido filho e neto, tinham ido pescar.
Chegaram por volta das 20 h com três peixinhos e vários lagostins que nos serviram de entrada para o jantar. Decidiram regressar à noite em busca destes crustáceos. Saíram sem que o Bernardo desse conta pois caso contrário também queria ir e não se sabia a que horas regressariam….
Chegaram por volta da meia noite com um balde cheio de lagostins que àquela hora pululavam junto à albufeira...


Os lagostins serviriam de novo como entrada no almoço do dia seguinte, após o qual regressariam ao Porto.
Mas antes de almoço fomos colher amoras de silva. Para a Inês tudo era novidade pois nunca tinha estado numa aldeia

A Marta partiria no dia seguinte de camioneta para Bragança pelo que quis aproveitar o resto do tempo com as primitas que regressariam a França no dia seguinte.



quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Em terras do Nordeste ….parte 4


Regresso ao descritivo das férias..
No dia 17 fomos jantar a casa da Isabel que tinha uma irmã a passar uns dias com ela. Um dos petiscos eram peixinhos do “rio” pescados no profundo lago que cobriu a ribeira de Zacarias, (afluente do Sabor), que ali corria mas no verão quase secava. A pesca e a caça foram, noutros tempos, hobbies do meu marido pelo que no dia seguinte lá estávamos nós.
Estava apenas um pescador, um senhor extremamente simpático. Vivera em Angola onde casou com uma senhora dos Cerejais, aldeia do concelho de Alfândega da Fé. Regressou como “retornado”e arranjou emprego em Valongo onde trabalhou até à reforma. Nessa altura a mulher quis regressar às origens. Na impossibilidade de arranjar casa nos Cerejais foram viver para Sambade, onde uma cunhada lhes cedeu uma casa.
Veio para o Nordeste a contragosto mas como sempre teve o hobbie da pesca, participando inclusivamente em vários concursos, passa os seus dias junto à albufeira. Entusiasmou o meu marido de tal forma que logo que pôde foi à Adeganha buscar material. O meu cunhado tinha um arsenal de pesca que daria para muitos pescadores...
Entretanto chegou o dia 20. Há meses que andava a ser preparado um almoço da família Gouveia com origens na Parada.


Envolveram-se profundamente na pesquisa quatro elementos um deles, Manuel António Gouveia, meu parente como acontece com muitos Gouveias. Vários elementos da família Ramos (descendentes do avô materno do meu pai) ao longo dos tempos foram casando com elementos da família Gouveia. No caso do primo que acabo de referir, a mãe era Ramos, prima direita do meu pai e o pai era Gouveia. Há até um episódio triste nesta ligação entre famílias. Uma irmã da minha avó (Ramos) iria casar com o avô paterno do meu marido (Gouveia). Era, ao que consta, uma jovem muito bonita. Tinha um problema grave de coração pelo que o médico receava que o casamento e eventual maternidade lhe agravassem muito o estado de saúde. Os meus avós paternos ao tempo viviam no Porto, pelo que os meus bisavós decidiram que a filha deveria consultar um especialista.
A cavalo, sentada numa cadeirinha (não sei se aquela que eu herdei da minha avó),


 o melhor meio de transporte que poderiam usar, levaram-na até a à estação do Pocinho onde apanhou o comboio que a levaria ao Porto.
E a este propósito regresso a Ernestina de Rentes de Carvalho que refere a viagem até ao Pocinho, desde a sua aldeia que dali dista menos que a minha.
Como a ida e volta até à estação do Pocinho eram dois dias e duas noites...(pag 55)
A minha tia avó, de nome Laurinda, não chegou a consultar o médico pois morreu pouco tempo após a chegada, possivelmente devido ao cansaço da viagem.
Nas feiras a tragédia era cantada. Só sei parte da letra mas segundo consta era mais ou menos assim

Laurindinha, Laurindinha
de tão grande formosura
foi ao Porto para curar-se
e voltou para a sepultura
Larindinha, Laurindinha
o seu mal não tinha cura
Pr´o prometido na terra
grande foi a amargura.

Regresso ao Encontro da Família Gouveia

Durante a sessão de boas vindas foi sendo apresentada a árvore genealógica desde o início do século XIX até aos dias de hoje. Seguiram-se a visita guiada e o almoço que contou com a presença da Presidente da Câmara e marido.
O convívio durante o almoço foi-se alongando pelo que, findo o mesmo seguimos para a Parada onde o encontro terminou.
No encontro estavam duas amigas de infância, se bem que mais novas, cuja mãe, professora, e prima direita de umas primas minhas, completou cem anos há pouco tempo.
Sempre que as filhas vêm à aldeia, faz questão de vir também embora tenha problemas de mobilidade. Fui visitá-la no fim do encontro. Já não a via há bastante tempo. Mal me aproximei uma das filhas perguntou: Mamã, sabes quem é? Respondeu de imediato “É a Gininha Sousa”.
É impressionante a lucidez que mantém.

Regresso ao almoço. Tinha recebido, há uns tempos, um convite para estar presente no VI Encontro de Escritores Transmontanos, organizado pela Poética Editora, com autores editados pela mesma . Entre os autores previstos para fazerem apresentações de livros estava um de Bragança, o meu amigo de infância António Afonso. Para além desse estavam António Sá Gué, um autor de Moncorvo  e uma autora Raquel Serejo Martins, também transmontana, que não conhecia. Conversava com a Presidente da Câmara sobre o referido encontro quando me disse: Já tinha pensado que é pena haver um encontro de escritores em Alfândega e não estar nenhum escritor da terra a apresentar um livro. E como desde há algum tempo a Câmara andava para editar um livro meu,Terras de Cieiro, decidiu comunicar com a Editora para ver se poderia ser editado até ao encontro, mas a editora respondeu que não seria possível. No entanto conseguiu-se uma solução de que falarei na próxima mensagem.

Na 2ª feira, 22, a minha ex-aluna Raquel, médica em Bragança e com quem gosto sempre de me encontrar, aceitando o convite que lhe fizera apareceu para almoçar, acompanhada pelo namorado. Já no ano passado estivemos juntas uma vez na Adeganha, outra na Parada. Chegou com uma série de mimos entre eles um bolo de maçã, muito saboroso. No fim do almoço tentámos visitar o Santuário de Santo Antão da Barca, a que me referi já várias vezes
Mas não pudemos lá chegar pois estavam a empedrar os acessos, obra que deveria estar pronta até ao dia 3, em que iria ter lugar a festa 


Termino com mais um pôr do Sol, visto do meu terraço, enquanto ali jantávamos



Interregno...


Um pequeno interregno para anunciar mais um concerto da banda que o meu filho Nuno integra. É já no próximo dia 10, pelas 23h30min, na Rua Ló Ferreira, 125, Matosinhos.




quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Em terras do Nordeste ….parte 3


Cheguei à Parada e nova azáfama me esperava, embora menor, pois iria poder contar com a ajuda da mulher do senhor que toma conta das poucas terras que ainda temos.
Ainda de manhã fui dar umas braçaditas na mini piscina onde, todos os dias, me refrescaria várias vezes ao dia.
O meu marido chegaria à hora do almoço, uma feijoada que ele traria de um restaurante de Alfândega, onde teve que passar antes de chegar à aldeia.
À tarde telefonei à Isabel, de quem já aqui falei, uma escultora ainda familiar que vive em França, mas reconstruiu a casa dos avós e está a reconstruir uma outra que lhe servirá de atelier. Convidei-a para jantar.
Fizemo-lo no terraço, como aconteceu quase todos os dias, tendo por cenário o pôr do Sol.



Como a propósito de livros se falou em Rentes de Carvalho, disse-me que estava a ler “Pó, cinza e recordações” e de seguida iria ler “Ernestina”. Tenho o primeiro mas não o segundo pelo que mo emprestou. Iria ser uma das minhas leituras… 

Começa assim
«Deus criou o mundo em Vila Nova de Gaia, numa tarde quente de Maio em 1930. E eu, quando uns quatro anos depois comecei a observar a Sua criação, não o fiz como seria de esperar, apenas com os olhos que Ele me tinha dado à nascença, mas quase exclusivamente através dum binóculo.»
Algumas das considerações que tece (pag13)  sobre um tio avô a que chamava avô, poderiam ter sido escritas sobre o meu avô (nascido em 1863), que não conheci mas de que irei falar mais adiante.
Ouvi dizer também que era bom, cumpridor, fiel aos seus amigos(….)Deixou fama como caçador.(…) 


Já aqui referi que a adega da casa tem sido para mim como uma arca do tesouro. Por volta de 1995 começámos a explorar o imenso caos ali existente. Foi assim que descobri, dentro duma mala, um conjunto de poemas do meu pai que viriam a ser publicados pela Câmara de Alfândega da  


Mas descobri muitas outras coisas, para mim autênticas preciosidades. Pensei então em fazer uma espécie de museu para deixar a filhos, netos…

Só que a tarefa é ciclópica, e como só lhe posso dedicar alguns dias por ano, avança lentamente. Para além disso, de entre as inúmeras peças que me aparecem, há muitas cuja função desconheço. Vale-me o meu marido que as conhece ou se as não conhece, as vai analisando com toda a sua minúcia de arquiteto e acaba por lhes adivinhar a função que mais tarde confirma junto de algumas “entendidos” da aldeia.







Este ano decidiu ajudar-me pelo que começámos a tarefa de organizar as ferramentas.
As peças mais bonitas são as de carpintaria. Que eu saiba, não tive nenhum carpinteiro na família mas o meu avô, nas horas de lazer lia ou fazia peças em madeira: cadeirinhas para os filhos, uma estante, um porta lápis e canetas, que tenho na minha casa do Porto, etc
À medida que vamos organizando as peças, segue-se a tarefa de as limpar,   que sobra para mim... Logo na primeira peça que limpava, uma plaina, deparei com as iniciais do meu avô...Mais tarde foi a vez de um serrote...





O meu avô não era da Parada mas de uma aldeia vizinha, Sendim da Ribeira. Não gostava das lides de lavoura pelo que ingressou na Guarda Fiscal. Já no posto de 1º cabo escolheu para casar, a minha avó, natural da Parada, mas o meu bisavô, lavrador razoavelmente abastado, de início não se entusiasmou. Não percebe nada de lavoura, tem boas terras na aldeia mas pouco trabalhadas… Tinha no entanto algumas caraterísticas que agradavam ao meu bisavô, nomeadamente alguma cultura (lia bastante, assinava o jornal, escrevia muito bem...) que o tornavam diferente de quase todos os candidatos à mão da filha, lavradores mais abastados mas que, terminada a escola,nunca mais tinham pegado num livro e nunca tinham lido um jornal. Começou a sua carreira no Porto onde nasceram 3 dos 9 filhos e ali, tal como o “avô” de Rentes de Carvalho, comandou o posto da Guarda Fiscal, na Alfândega. Tinham ainda em comum o gosto pela leitura 
Fanático como era da leitura (…)in Ernestina, pag 58. 
Não conheci os meus avós mas, tal como o avô de Rentes de Carvalho, também o meu avô terá sido um excelente caçador.


terça-feira, 6 de setembro de 2016

Em terras do Nordeste ….parte 2


A semana seguinte foi de uma azáfama tremenda. Era preciso ensaiar uma peça de teatro e filmá-la a seguir para, tal como no ano anterior, ser projetada na TV como se fosse um filme.
Desta vez a Rita decidiu imaginar e filmar pequenos anúncios de filmes, “supostamente”em cartaz. Estes antecederiam a apresentação da peça
Briosa como é, desesperava sempre que os atores(irmão e primos) levavam pouco a sério o papel.
O tempo fugia veloz e ela, lágrimas nos olhos, dizia: Não vamos conseguir a tempo…
Mas conseguimos.
Entretanto, no dia 26, alegando que precisavam de ensaiar, fecharam-se numa sala e não me deixavam entrar. Ao jantar fizeram-nos uma surpresa. Brindaram-nos com textos e desenhos. Era o Dia dos Avós...
Eis o trabalho da mais pequenina...

Na sexta, 29, chegariam filhos e noras. O espetáculo ficou pronto a tempo e foi apresentado mas por o filme tem 1,5 G não consigo mostrá-lo aqui

No dia 30 fomos à praia fluvial da Foz do Sabor

Ao fim do dia fomos à piscina de Moncorvo http://dourovalley.eu/poi?id=1268 
onde todos, em especial os mais pequenos, passámos um fim de tarde fantástico. À noite participámos num jantar organizado na aldeia para celebrar os 25 anos da associação cultural e recreativa e simultaneamente angariar fundos para poderem ampliar as suas atividades. A aldeia é muito pequenina pelo que me surpreendeu esta iniciativa. Foi muito agradável pois permitiu o convívio com as pessoas que ali habitam e com outras que ali vão só de férias.
Dia 31, filhos, noras e netos foram ao aquafixe





Após o fim de semana os adultos regressariam ao Porto, exceto o meu filho mais velho. A mulher regressaria no dia 3. No dia 4 foram com os filhos a Miranda do Douro onde fizeram um passeio de barco, Douro acima. Como eram quatro, já não podiam levar os sobrinhos e para os compensar fomos passar o dia à minha aldeia onde preparámos a piscina ( o antigo lagar de vinho que existia em minha casa) em que os miúdos se deliciaram.

Casal e filhos partiriam dia 5 rumo a outras férias, no mesmo dia em que chegaram, ao fim da tarde, o meu outro filho, a mulher e o David, um coleguinha do José.


No dia 6 ao fim a tarde, o casal foi com os filhos e o David, à piscina de Moncorvo, No dia 7 o meu filho decidiu fazer um baloiço, tarefa que teve que interromper a meio da tarde para levar a minha nora ao Pocinho onde apanharia o comboio para o Porto. Precisava de trabalhar no projeto de investigação em que está envolvida.

Após o jantar mostrámos ao David o filme com a nossa peça de teatro. Ficou entusiasmadíssimo e perguntou-me. Podemos fazer outro espetáculo idêntico? Começámos de imediato a trabalhar as propostas que os os três iam sugerindo, fizeram-se as filmagens e o meu filho ficou de fazer a montagem logo que pudesse. O David não cabia em si de contente.  Tudo se passa numa academia com várias vertentes, uma escola de dança, atividades de parkour (que nocartaz ficou com c em vez de k...), capoeira, etc
Deixo duas fotos




Entretanto o meu filho concluiria o baloiço 






Dia 9 regressaram ao Porto, pois seguir-se-ia um período de férias no Algarve. Preparei-lhes um pic -nic para fazerem em Carrazeda de Ansiães. Começaram por visitar o Museu da Memória Rural em Vilarinho da Castanheira http://www.cm-carrazedadeansiaes.pt/pages/294 que acharam muito interessante e terminaram o dia na piscina http://dourovalley.eu/poi?id=1161. Chegaram ao Porto já noite.
Dia 10, uma nova azáfama...Lavar as roupas de cama e não só e preparar as tralhas pois dia 11 rumaríamos para a Parada.
Dia 11 parti logo cedo com o jipe. O meu marido partiria mais tarde pois ficou a ultimar algumas coisas que tinha para fazer.